A temática do planejamento, para a maioria das pessoas ou empresas, não costuma ser uma das atividades mais agradáveis ou de maior interesse, em parte, por uma razão muito simples: costuma-se confundir “planejamento” com “predição do futuro”. Some-se a isso o fato de que quando chegamos ao final de mais um ano e olhamos tudo aquilo que foi planejado no início, em geral, prevalece a sensação de desprazer, pois se observa que muito do que foi esquematizado não se concretizou. Daí porque é comum iniciarmos os preparativos para o planejamento do ano seguinte com a sensação de descrédito e de pouca importância.
Ora, convenhamos se planejamento fosse à capacidade de prever ou predizer o futuro, não tenha dúvidas de que as empresas não hesitariam investir boa parte dos seus lucros, na contratação de
videntes, ao invés de consultorias, por exemplo.
Por outro lado, e sob um aparente paradoxo, ainda que não intencionalmente, planejar é algo que faz parte do nosso cotidiano, de um modo mais intenso do que talvez possamos imaginar. Basta
encostarmos a cabeça no travesseiro que tão logo começaremos a pensar no que iremos fazer no dia seguinte, ainda que para alguns isso não passe de poucos minutos e, para outros, questão de horas.
Bem verdade, diga-se, costumamos voltar nossas atenções para o planejamento das ações de curtíssimo prazo. Em contrapartida, muito pouca energia é direcionada para o planejamento das nossas ações de médio e de longo prazo.
Em geral, os nossos projetos de longo prazo costumam ser expressos (ou “planejados”), por exemplo, quando estamos insatisfeitos com algo e compartilhamos essas nossas insatisfações ou mesmo os nossos sonhos com os colegas de trabalho, naqueles produtivos e relaxantes
minutinhos do cafezinho no meio do expediente. Daí, então, comentários do tipo “Se nos próximos dois anos não melhorarmos os nossos sistemas computacionais, provavelmente não estaremos mais aqui para contar história!”; “No ano que vem, pretendo viajar com a minha família para a Europa!”; “Não vejo a hora de chegar a minha aposentadoria e poder dedicar-me àquilo que realmente me dá prazer!”
Conforme acima, estamos planejando o tempo todo. Entretanto, em geral, deixamos de lado ou abdicamos de projetar o nosso futuro em médio e longo prazo, pois esse tipo de planejamento requer que venhamos a refletir e a nos debruçar com maior profundidade sobre questões que, em certo sentido, podem nos causar algum tipo de desconforto. As principais delas e que devem ser prontamente respondidas, pois são norteadoras de qualquer programação são: Qual é mesmo a missão da minha vida? Onde mesmo eu quero estar daqui a três, cinco ou dez anos?
Certamente, um bom planejamento não se limita a estes dois tipos de perguntas, mas destaco estas duas, pois, a meu ver, são as de maior relevância para um bom e eficaz projeto. Neste ponto, ressalto mais uma vez e desmistifico a idéia que planejamento seja sinônimo de predição do futuro. Não é! Antes de tudo, é pensar sobre o futuro e, sobretudo, traçar um caminho para ele, a fim de que aquilo que foi planejado não seja uma mera obra de ficção, "coisa para inglês ver”.
Que aquilo que verdadeiramente queremos para as nossas vidas possa se concretizar.
Para tanto, não vou discorrer sobre qual(is) a(s) melhor(es) metodologia(s) para se fazer um bom planejamento. Há muitos modos para isso e não há consenso sobre o assunto. Contudo, preocupo-me, porém, com o que se deve fazer após a elaboração de um bom programa. É certo que ideal seria se tudo o que planejássemos viesse a acontecer conforme o roteiro traçado. Mero devaneio.
A realidade e as intempéries do dia-a-dia estão aí não para fazer ruir, por sadismo, aquilo que planejamos, mas para, fundamentalmente, pôr à prova e questionar se aquilo que estamos fazendo é realmente o que queremos e devemos fazer, e para fazer com que adaptemos e sejamos flexíveis com o nosso planejamento, pois as condicionantes externas são muitas e nos fogem ao controle. Se, se sabe com clareza o que de fato queremos e onde queremos chegar, tudo mais é e será perfeitamente passível de mudanças, sem que isto venha a representar perda de foco ou qualquer coisa do tipo.
Portanto, parafraseando Fernando Pessoa, planejar é preciso. Ou seja, num primeiro sentido, planejar é algo necessário. Não podemos deixar que a vida ou alguém nos conduza. No final, teremos apenas boas desculpas para nós mesmos por eventuais fracassos. Num segundo sentido, planejar é algo que requer precisão, definição do que se quer de fato, aonde se quer chegar e como fazê-lo.
O certo é que planejar é uma atividade que não pode ser deixada de lado dada a sua importância, pois se constitui em um momento em que paramos realmente para pensar e organizar as nossas ações com vistas à construção de um futuro e um mundo cada vez melhor de ser vivido.
Escrito por Adriano César Rosa da Costa, Graduado em Psicologia, mestre em Administração de Micro e Pequenas Empresas. Funcionário do Banco do Nordeste do Brasil S.A., consultor empresarial, professor e pesquisador.
Ora, convenhamos se planejamento fosse à capacidade de prever ou predizer o futuro, não tenha dúvidas de que as empresas não hesitariam investir boa parte dos seus lucros, na contratação de
videntes, ao invés de consultorias, por exemplo.
Por outro lado, e sob um aparente paradoxo, ainda que não intencionalmente, planejar é algo que faz parte do nosso cotidiano, de um modo mais intenso do que talvez possamos imaginar. Basta
encostarmos a cabeça no travesseiro que tão logo começaremos a pensar no que iremos fazer no dia seguinte, ainda que para alguns isso não passe de poucos minutos e, para outros, questão de horas.
Bem verdade, diga-se, costumamos voltar nossas atenções para o planejamento das ações de curtíssimo prazo. Em contrapartida, muito pouca energia é direcionada para o planejamento das nossas ações de médio e de longo prazo.
Em geral, os nossos projetos de longo prazo costumam ser expressos (ou “planejados”), por exemplo, quando estamos insatisfeitos com algo e compartilhamos essas nossas insatisfações ou mesmo os nossos sonhos com os colegas de trabalho, naqueles produtivos e relaxantes
minutinhos do cafezinho no meio do expediente. Daí, então, comentários do tipo “Se nos próximos dois anos não melhorarmos os nossos sistemas computacionais, provavelmente não estaremos mais aqui para contar história!”; “No ano que vem, pretendo viajar com a minha família para a Europa!”; “Não vejo a hora de chegar a minha aposentadoria e poder dedicar-me àquilo que realmente me dá prazer!”
Conforme acima, estamos planejando o tempo todo. Entretanto, em geral, deixamos de lado ou abdicamos de projetar o nosso futuro em médio e longo prazo, pois esse tipo de planejamento requer que venhamos a refletir e a nos debruçar com maior profundidade sobre questões que, em certo sentido, podem nos causar algum tipo de desconforto. As principais delas e que devem ser prontamente respondidas, pois são norteadoras de qualquer programação são: Qual é mesmo a missão da minha vida? Onde mesmo eu quero estar daqui a três, cinco ou dez anos?
Certamente, um bom planejamento não se limita a estes dois tipos de perguntas, mas destaco estas duas, pois, a meu ver, são as de maior relevância para um bom e eficaz projeto. Neste ponto, ressalto mais uma vez e desmistifico a idéia que planejamento seja sinônimo de predição do futuro. Não é! Antes de tudo, é pensar sobre o futuro e, sobretudo, traçar um caminho para ele, a fim de que aquilo que foi planejado não seja uma mera obra de ficção, "coisa para inglês ver”.
Que aquilo que verdadeiramente queremos para as nossas vidas possa se concretizar.
Para tanto, não vou discorrer sobre qual(is) a(s) melhor(es) metodologia(s) para se fazer um bom planejamento. Há muitos modos para isso e não há consenso sobre o assunto. Contudo, preocupo-me, porém, com o que se deve fazer após a elaboração de um bom programa. É certo que ideal seria se tudo o que planejássemos viesse a acontecer conforme o roteiro traçado. Mero devaneio.
A realidade e as intempéries do dia-a-dia estão aí não para fazer ruir, por sadismo, aquilo que planejamos, mas para, fundamentalmente, pôr à prova e questionar se aquilo que estamos fazendo é realmente o que queremos e devemos fazer, e para fazer com que adaptemos e sejamos flexíveis com o nosso planejamento, pois as condicionantes externas são muitas e nos fogem ao controle. Se, se sabe com clareza o que de fato queremos e onde queremos chegar, tudo mais é e será perfeitamente passível de mudanças, sem que isto venha a representar perda de foco ou qualquer coisa do tipo.
Portanto, parafraseando Fernando Pessoa, planejar é preciso. Ou seja, num primeiro sentido, planejar é algo necessário. Não podemos deixar que a vida ou alguém nos conduza. No final, teremos apenas boas desculpas para nós mesmos por eventuais fracassos. Num segundo sentido, planejar é algo que requer precisão, definição do que se quer de fato, aonde se quer chegar e como fazê-lo.
O certo é que planejar é uma atividade que não pode ser deixada de lado dada a sua importância, pois se constitui em um momento em que paramos realmente para pensar e organizar as nossas ações com vistas à construção de um futuro e um mundo cada vez melhor de ser vivido.
Escrito por Adriano César Rosa da Costa, Graduado em Psicologia, mestre em Administração de Micro e Pequenas Empresas. Funcionário do Banco do Nordeste do Brasil S.A., consultor empresarial, professor e pesquisador.
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